O cenário para a construção civil no Brasil permanece marcado por sinais mistos, com expectativas mais cautelosas convivendo com um ritmo de atividade ainda resiliente.
Os dados de confiança da construção apurados pela FGV mostram recuos em todos os componentes da pesquisa, enquanto a Sondagem da Indústria da Construção, realizada pela CNI, aponta expectativas abaixo do nível neutro e no menor nível desde a pandemia do Covid-19. A escassez de mão de obra segue entre os principais fatores limitantes para o setor e também se reflete nos custos. No índice INCC-M, o componente de mão de obra vem pressionando o acumulado do índice desde meados de 2022. Por outro lado, os custos de materiais mostraram acomodação na leitura mais recente, registrando a menor variação mensal desde dezembro de 2025.
Embora o afrouxamento monetário iniciado em março ainda tenha produzido efeitos limitados sobre as taxas médias de financiamento imobiliário, dados do Banco Central indicam uma leve tendência de queda em agosto, ainda sem incorporar o corte de 25 pontos-base da Selic em setembro. Ao mesmo tempo, os desafios relacionados ao funding da poupança permanecem, com mais um mês de resgates líquidos relevantes ajudando a explicar por que a redução da taxa básica ainda não se traduz de forma mais direta nas condições de financiamento imobiliário.
Mesmo nesse ambiente, os dados mais recentes divulgados pela Abrainc apontam para uma atividade ainda resiliente, com o segmento econômico respondendo pela maior parte dos lançamentos e vendas nos últimos anos. Enquanto as incorporadoras aguardam condições de juros mais favoráveis para voltar a intensificar lançamentos destinados ao público de médio e alto padrão, as vendas para esse nicho mostram um apetite superior ao esperado, contrariando a relação historicamente negativa entre juros e demanda por imóveis desse padrão.
Nesse relatório setorial, analisamos esses indicadores, além da continuidade da geração líquida positiva de empregos formais na construção, o ritmo de captação e contratações via FGTS, níveis de inadimplência de financiamento imobiliário, bem como movimentos de mercado ao longo do mês de setembro.
Destaques desta edição:
Dados de Confiança
Confiança da Construção (ICST) recua pela segunda leitura consecutiva em setembro, encerrando no nível mais baixo de 2026.
Indicadores de Atividade
Conjunto de indicadores da Sondagem da Indústria da Construção recua, com expectativas para os próximos 6 meses voltando a figurar abaixo da linha neutra.
Fontes de Recursos e Novas Contratações
Poupança volta a registrar captação negativa em setembro, enquanto o ainda pujante ritmo de captação líquida do FGTS exibe sinais de estabilização.
Dados de Crédito e de Emprego
Taxas de juros para financiamentos ao setor exibem leve acomodação em agosto, e construção permanece em tendência de crescimento de participação na geração de empregos formais na economia doméstica.
Índice de preços
INCC-M acumula alta de 6,61% nos últimos 12 meses, sem direção única entre os componentes do índice nas bases de comparação. Todas as capitais pesquisadas apresentam variação acumulada acima da inflação ao consumidor.
Dados de Mercado – Construção Civil
O índice setorial Imobiliário da B3 (IMOB) avançou 4,58% no mês de setembro, mas insuficiente para superar o desempenho do Ibovespa no período (+5,03%).