Os indicadores operacionais das construtoras em São Paulo trouxeram sinais mistos em fevereiro, segundo os dados divulgados pelo Secovi-SP. O mercado seguiu apoiado pelo segmento de baixa renda, enquanto os empreendimentos de médio e alto padrão mostraram perda de ritmo em lançamentos e vendas.
Na cidade de São Paulo, os lançamentos totalizaram 9 mil unidades em fevereiro, com queda de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, no acumulado de 12 meses, o volume lançado chegou a 135,9 mil unidades, alta de 19%.
As vendas líquidas somaram 10,3 mil unidades no mês, recuo de 1% na comparação anual. No acumulado de 12 meses, o volume vendido alcançou 114 mil unidades, avanço de 6%. Esse movimento resultou em um valor geral de vendas de R$ 58,3 bilhões, queda de 3% em 12 meses.
A velocidade de vendas mensal ficou em 11,4%, com recuo de 3,2 pontos porcentuais em um ano. Já a velocidade de vendas em 12 meses caiu para 58,7%. Com isso, o estoque da cidade passou a equivaler a 8,4 meses de vendas.
Baixa renda mantém desempenho mais forte
O segmento de baixa renda voltou a mostrar os indicadores mais consistentes do mercado. Os lançamentos cresceram 17% em fevereiro, para 7,4 mil unidades. Ao mesmo tempo, as vendas líquidas avançaram 20%, para 7,5 mil unidades.
Esse desempenho sustentou uma velocidade de vendas mensal de 14,7%. Embora o indicador tenha ficado abaixo do observado um ano antes, o nível ainda mostra um ritmo sólido de absorção.
No acumulado de 12 meses, as vendas da baixa renda chegaram a 74,7 mil unidades, com crescimento de 21%. O estoque ficou em 7 meses de vendas, praticamente estável na comparação recente. Hoje, esse segmento responde por 55% do estoque total da cidade, acima dos 53% registrados um ano antes.
Médio e alto padrão perdem ritmo
No segmento de médio e alto padrão, os números foram mais fracos. Os lançamentos somaram 1,7 mil unidades em fevereiro, queda de 61% em relação ao mesmo mês de 2025. Foi o segundo menor volume mensal dos últimos dois anos.
As vendas líquidas recuaram 33% na comparação anual, para 2,8 mil unidades. Apesar de alguma melhora frente a janeiro, a velocidade de vendas mensal ficou em 7,1%, com retração expressiva em 12 meses.
Parte desse movimento reflete um efeito de calendário. Em 2026, o Carnaval ocorreu em fevereiro, enquanto em 2025 a data caiu em março. Ainda assim, o dado reforça a leitura de desaceleração nesse segmento.
O estoque de médio e alto padrão permaneceu estável em 11 meses de vendas. Mesmo sem piora relevante frente ao mês anterior, o nível segue acima do observado em fevereiro do ano passado.
Vendas desaceleram em todas as faixas de preço
Entre as diferentes faixas de preço, todas registraram queda anual na velocidade de vendas. O desempenho mais fraco apareceu nas unidades de luxo, acima de R$ 5 milhões, que tiveram velocidade de vendas de 1,9%.
Por outro lado, os imóveis de renda média, com preços entre R$ 350 mil e R$ 700 mil, mostraram maior resiliência. Nesse grupo, a velocidade de vendas ficou em 9,2%, acima da média histórica de cinco anos para fevereiro, de 7,8%.
O que muda para as construtoras
Na avaliação do Safra, a leitura principal dos dados de fevereiro é clara. A baixa renda segue como principal suporte do mercado, impulsionada pelo volume robusto de lançamentos e pela demanda mais consistente.
Já o segmento de médio e alto padrão continua em desaceleração. Ainda assim, a menor atividade de lançamentos ajuda a limitar um avanço mais forte dos estoques, o que reduz parte das preocupações no curto prazo.
Além disso, a suspensão dos alvarás de construção na cidade de São Paulo, imposta no fim de fevereiro, deve contribuir para um volume menor de lançamentos nos próximos meses.
Cyrela segue como destaque do setor
Dentro da cobertura do Safra, a preferência segue por Cyrela (CYRE3). A avaliação considera a combinação de estoques mais baixos, maior exposição ao programa Minha Casa, Minha Vida e um nível de valuation considerado atrativo para 2026.
Em um ambiente ainda dividido entre segmentos mais fortes e mais fracos, a companhia aparece melhor posicionada para capturar a demanda mais resiliente e atravessar um cenário mais seletivo no mercado imobiliário paulista.