Seguindo tendência global de redução do trabalho remoto observada desde o fim da pandemia, o Rio de Janeiro perdeu quase 50 mil trabalhadores em home office nos últimos dois anos. Dados da PNAD Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2025, divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (23/09), mostram que o número de pessoas que trabalhavam principalmente de casa caiu de 336 mil, em 2023, para 287 mil, em 2025. A redução foi de 14,6%.
No Brasil, o recuo foi menor. Em 2022, 8,4% dos trabalhadores exerciam suas atividades principalmente de casa. Em 2025, eram 7,9%. Apesar da queda, o percentual ainda é mais que o dobro do registrado em 2012, quando 3,6% dos ocupados trabalhavam nessa modalidade. Ao todo, 6,65 milhões de brasileiros estavam em home office no ano passado.
Rio tem menos trabalhadores em home office proporcionalmente
No Rio, o trabalho remoto correspondia a 10,3% dos ocupados em 2025, colocando a cidade na 12ª posição entre as capitais.
Porto Alegre apresentou a maior proporção, com 18,7%, seguida por Recife (15,4%) e Belo Horizonte (15,2%). Florianópolis, que havia liderado nos três anos anteriores, ficou na quarta posição, com 13,7%.
Em números absolutos, o Rio continua entre as capitais com maior quantidade de trabalhadores em home office. São Paulo lidera, com 543 mil, seguido pelo Rio, com 287 mil. Belo Horizonte passou para a terceira posição, com 168 mil.
Boa fase para o mercado corporativo
A redução do home office acontece ao mesmo tempo em que o mercado corporativo do Rio registra aumento na ocupação de escritórios. O Centro respondeu por 58% da absorção bruta do mercado carioca no primeiro semestre de 2026. No segundo trimestre, foram cerca de 11 mil metros quadrados de novas ocupações na região, acima dos volumes registrados na Barra da Tijuca e no eixo Flamengo/Glória.
Segundo consultores do mercado ouvidos pelo DIÁRIO DO RIO, a demanda está concentrada em edifícios com infraestrutura atualizada, grandes lajes, boa localização e espaços prontos para receber empresas. Já os prédios antigos, que precisam de investimentos para acompanhar as exigências atuais das companhias, encontram mais dificuldade para reduzir a vacância.
De acordo com a Sérgio Castro Imóveis, a vacância dos edifícios corporativos mais antigos está em 47%, contra 54% há um ano.
Entre os novos ocupantes do Centro está o Nubank, que instalou sua nova sede no Edifício Vista Mauá, com espaço para mais de mil colaboradores. A Dataprev também prepara a transferência de atividades de Botafogo para o Centro, levando quase 2 mil funcionários para o Edifício Ventura.
Em novembro, como foi adiantado pelo DIÁRIO, a Norte Energia, concessionária responsável pela operação da Usina de Belo Monte, vai ocupar um andar inteiro do edifício Aliança da Bahia, no Castelo, e transferir suas atividades para o Rio.
Na Avenida Chile, a Petrobras avança na retomada gradual das atividades em sua sede. A ocupação deve representar o retorno de cerca de 8 mil postos de trabalho ao prédio. A poucos metros dali, o Banco do Brasil também vem ampliando gradualmente a presença de funcionários na sede da Rua Senador Dantas.
Na Zona Sul, a Vale também determinou o retorno dos colaboradores aos escritórios no ano passado. A nova diretoria estabeleceu como obrigatória a presença dos funcionários no escritório pelo menos três vezes por semana.