Botafogo tem um dos mercados de escritórios mais aquecidos do Rio, pelo menos quando o assunto é espaço disponível. No terceiro trimestre de 2026, apenas 4,4% dos imóveis comerciais de alto padrão do bairro estavam vagos, a menor taxa entre as regiões analisadas pela consultoria Newmark.
O aluguel pedido também está entre os mais altos da cidade: R$ 118,91 por metro quadrado ao mês. O valor supera a média do Centro, de R$ 77,96, e da Barra da Tijuca, de R$ 65,47. Na Zona Sul, considerada uma única região no levantamento, o preço chega a R$ 349 por metro quadrado.
Com boa parte dos edifícios comerciais concentrada na orla, o bairro reúne, desde a década de 90, empresas dos setores financeiro, de saúde, educação, consultoria e oil & gas. Entre os principais centros empresariais estão o Edifício Argentina, o Mourisco e a Torre do Rio Sul.
Aluguel de escritórios sobe 7,6% em um ano
O mercado de escritórios de alto padrão do Rio fechou o terceiro trimestre com aluguel pedido médio de R$ 83,43 por metro quadrado ao mês, considerando imóveis das classes AAA, AA e A. A alta foi de 4,3% em relação ao trimestre anterior, a maior do ano. Em 12 meses, o avanço chegou a 7,6%.
Desde o ponto mais baixo da série histórica, em 2023, os preços acumulam valorização de 13%.
A taxa de vacância ficou em 23,5%, o menor nível desde 2014, mesmo com a entrada de 18 mil metros quadrados de novos espaços no mercado. O aumento do estoque veio de projetos de retrofit, após sete anos sem expansão da oferta. Em 12 meses, a vacância caiu 2,3 pontos percentuais.
Entre julho e setembro, a absorção líquida somou 17 mil metros quadrados, acima dos 15 mil metros quadrados do trimestre anterior. No acumulado do ano, o saldo chegou a 53 mil metros quadrados, cerca de 90% de todo o volume registrado em 2025.
Centro concentra demanda, mas ainda tem salas vazias
O Centro respondeu por 62% da absorção líquida de escritórios de alto padrão no Rio em 2026. Um dos destaques foi a ocupação de cerca de 5,2 mil metros quadrados pelo Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ), no edifício Bolsa do Rio.
A Cidade Nova registrou absorção líquida de 5,2 mil metros quadrados, em meio a movimentações envolvendo a SAMM, antiga Mega Telecom, a Vale e o Governo do Estado. No Porto Maravilha, o saldo foi de 2,4 mil metros quadrados, com a movimentação do Centro de Pesquisa em Energia Elétrica (Cepel) no AQWA Corporate.
A vacância, porém, continua elevada nessas regiões. O indicador está em 26,9% no Centro, 27,4% no Porto Maravilha e 39,1% na Cidade Nova. Na Barra da Tijuca, chega a 15,4%. A Cidade Nova teve a maior redução trimestral, de 1,7 ponto percentual.
O mercado tem 131 mil metros quadrados de escritórios de alto padrão em construção. Outros 400 mil metros quadrados estão em fase de projeto, sem previsão de início das obras.
Entre os empreendimentos em construção estão o Rythme Leblon, no antigo prédio da Oi, com 21 mil metros quadrados, e o Garcia 111, em Ipanema, projeto conduzido pelo Opportunity, com 22,9 mil metros quadrados. No Centro, o retrofit da antiga sede do Banco Boa Vista prevê 12,5 mil metros quadrados, com entrega em 2028.
“A vacância permaneceu estável mesmo com a chegada de novo estoque, algo que não víamos há sete anos, e o preço pedido voltou a subir de forma mais significativa. Ainda há muita área disponível em regiões como Centro, Porto Maravilha e Cidade Nova, mas a demanda está ativa, com ocupantes buscando empreendimentos bem localizados, mais modernos e alinhados às novas formas de trabalho. Os novos projetos, sobretudo na Zona Sul, devem testar a capacidade de absorção da região nos próximos trimestres”, avalia Mariana Hanania, head de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark Brasil.