Petrobras, Dataprev e Banco do Brasil aceleram retomada do Centro e devem levar mais de 10 mil pessoas por dia à região

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 15/julho

Principal polo empresarial do Rio, o Centro concentra mais de 75 mil empresas ativas, 600 mil empregos formais e liderou a absorção de escritórios de alto padrão no primeiro semestre.

Poucas regiões do Rio traduzem de forma tão clara a retomada do mercado corporativo quanto o entorno da Avenida República do Chile, no Centro. Projetada há 60 anos sobre os terrenos do antigo Morro de Santo Antônio, a via consolidou-se, principalmente a partir da década de 80, como um dos principais endereços empresariais do país e agora volta ao centro dos investimentos. Até o próximo ano, a reocupação do Edifício-Sede da Petrobras (Edise), a chegada da Dataprev e a ampliação das operações do Banco do Brasil devem acrescentar mais de 10 mil pessoas à circulação diária da região. Fôlego esperado, principalmente, pelo empresariado do entorno, que vê com otimismo o retorno das atividades presenciais.

A maior mudança virá da Petrobras. Desde o ano passado, a estatal vem retomando gradualmente o trabalho presencial ao encerrar o regime de teletrabalho – nome dado pela companhia ao home office. A medida, que chegou a provocar protestos entre funcionários da área administrativa do Edifício Senado, vai ganhar impulso com a conclusão das obras de modernização do Edise. O prédio, construído na década de 70, terá capacidade para cerca de seis mil postos de trabalho e deve receber aproximadamente oito mil pessoas por dia, entre funcionários, terceirizados e visitantes, segundo estimativas apresentadas pela estatal à Prefeitura do Rio no ano passado. Como parte do projeto, a companhia também planejou, em conjunto com o município, uma nova entrada para o edifício, voltada para as ruas do entorno, com o objetivo de distribuir melhor o fluxo de pedestres e ampliar a movimentação no comércio da região.

A poucos metros dali, a Dataprev também reforça esse processo. A empresa de tecnologia e informações da Previdência, conforme foi adiantado pelo DIÁRIO DO RIO, assinou em maio um contrato de aproximadamente R$ 220 milhões para ocupar mais de 10 mil metros quadrados no Edifício Ventura, empreendimento considerado um dos mais valorizados do mercado corporativo carioca. Mais de mil funcionários deixarão a antiga sede, em Botafogo, para trabalhar em cinco pavimentos do prédio. Antes da decisão, a empresa avaliou outros seis edifícios de alto padrão no Centro, mas optou pelo complexo empresarial, inaugurado em 2010, que reúne especificações técnicas voltadas para grandes ocupantes e já concentra sedes de companhias multinacionais.

Na Rua Senador Dantas, o Banco do Brasil também voltou a olhar para o Centro como destino estratégico. Depois de colocar o Edifício Sedan em leilão por R$ 311 milhões, a instituição desistiu da venda e iniciou um processo gradual de reocupação do imóvel. Segundo apuração do DDR, cerca de 30 áreas administrativas já funcionam nos 18 primeiros andares da torre. O plano é expandir a ocupação até utilizar os 40 pavimentos. O banco afirmou que desenvolve um projeto de ampliação “para atender às necessidades operacionais e administrativas da instituição”.

Retomada fortalece o principal polo de negócios da cidade

A movimentação soma à presença de grandes empresas que já mantêm operações na região, como BNDES, IBM Brasil, Meta, Accenture, BNY Mellon, Allianz Seguros e Capgemini, além de gigantes do setor de petróleo, como Shell, TotalEnergies, Baker Hughes e SLB. Mais recentemente, a Ipiranga também decidiu instalar sua sede no Edifício Ventura, deixando São Cristóvão para ocupar cerca de 4 mil metros quadrados no empreendimento, que conta com heliponto em suas duas torres.

“O retorno de milhares de trabalhadores muda completamente a dinâmica da região. Não é apenas uma questão de ocupação dos edifícios. Esse fluxo diário sustenta restaurantes, cafeterias, farmácias, bancos e outros serviços que dependem da circulação de pessoas. Quando grandes empresas voltam a concentrar suas equipes no Centro, ajudam a reativar toda a economia do entorno”, afirma Francisco Grelo, diretor de Operações e Inteligência da Aliança Cidade.

Segundo Francisco, a entidade, que reúne mais de 300 empreendimentos na Região Central e tem três edifícios na Avenida Chile entre seus associados, realizou um levantamento entre julho de 2025 e julho de 2026 que mostra que o Centro concentra mais de 75 mil empresas ativas, cerca de um quinto dos CNPJs da capital. A região também movimenta aproximadamente R$ 2 trilhões em faturamento por ano e reúne mais de 600 mil empregos formais, consolidando-se como o maior polo econômico do município.

Mercado de escritórios reage

A movimentação nas ruas também aparece nos indicadores do mercado imobiliário corporativo. Levantamento da Newmark mostra que o Centro liderou a absorção líquida de escritórios de alto padrão no segundo trimestre deste ano, com cerca de 11 mil metros quadrados ocupados. O desempenho ficou muito acima da Barra da Tijuca, que registrou 1,9 mil metros quadrados, e do eixo Flamengo-Glória, com 1,6 mil metros quadrados.

No acumulado do primeiro semestre, a absorção líquida alcançou 36 mil metros quadrados, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. A taxa de vacância também continua em queda e chegou a 23,5%, mantendo a trajetória de redução observada desde 2025.

Outras consultorias apontam tendência semelhante. A Colliers registrou, no fim de 2025, a menor vacância da série histórica iniciada em 2016, com índice de 21%. A JLL identificou taxa de 26,5% nos edifícios A e A+, contra 31% um ano antes, enquanto a CBRE estimou disponibilidade de apenas 18,7% nos empreendimentos classificados como Triple A no Centro.

“Paralela a Av. Chile, temos a Rua da Carioca que está sendo transformada na Rua da Cerveja (dentro do Projeto Reviver Centro da Prefeitura), com obras de infraestrutura e modernização, além da Rua do Senado (continuação da Av. Chile) que foi eleita a rua mais “cool” do mundo no final do ano passado. As ruas próximas também serão impactadas positivamente pela retomada da Av. Chile, como a Senador Dantas, Av. Treze de Maio, Largo da Carioca, Lavradio, entre outras.” afirma Francisco.


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