O mercado imobiliário do Rio de Janeiro está vivendo uma transformação silenciosa, mas extremamente significativa. Nos últimos anos, um movimento crescente de investidores estrangeiros passou a mirar os estúdios compactos lançados principalmente na Zona Sul carioca, impulsionando um novo ciclo de valorização imobiliária ligado ao turismo, ao aluguel de curta temporada e à rentabilidade em plataformas digitais.
A informação foi divulgada em maio de 2026 pelo jornal O Globo, com dados de imobiliárias, construtoras e empresas especializadas em gestão de imóveis para locação temporária. O levantamento mostra que a presença internacional no mercado imobiliário carioca deixou de ser pontual e passou a representar uma fatia relevante nas vendas de novos empreendimentos.
Segundo pesquisa realizada pela Patrimóvel entre novembro de 2025 e abril de 2026, 32% dos 54 estúdios negociados pela imobiliária em bairros como Copacabana, Ipanema e Leblon foram adquiridos por estrangeiros. Entre os compradores aparecem investidores da Espanha, Romênia, Suíça, França, Inglaterra, Nova Zelândia e, principalmente, da Argentina.
O fenômeno revela uma mudança importante no perfil do mercado imobiliário do Rio. Enquanto antes o foco estava majoritariamente em compradores locais, agora o setor começa a disputar espaço dentro do cenário internacional de short term rental — modelo já consolidado em cidades turísticas ao redor do mundo.
Estúdios compactos viram fonte de renda para estrangeiros no Rio de Janeiro
O principal atrativo desses imóveis está na combinação entre localização privilegiada, preço competitivo e potencial de rentabilidade com aluguel por temporada.
Desde que mudanças na legislação passaram a permitir de forma mais clara a locação de curta duração em novos empreendimentos, o mercado viu surgir uma verdadeira corrida por apartamentos compactos em regiões turísticas do Rio.
Segundo Vitor Moura, sócio-presidente da Patrimóvel, o comportamento dos compradores estrangeiros segue um padrão muito específico.
Eles frequentam o Rio uma ou duas vezes por ano e, durante o restante do tempo, disponibilizam os imóveis em plataformas digitais de hospedagem.
Esse modelo transformou os estúdios em ativos altamente rentáveis.
Além disso, o câmbio favorável aumentou ainda mais o interesse internacional. Para quem recebe em euro ou dólar, os preços praticados no mercado brasileiro parecem extremamente acessíveis.
O argentino Federico Fariza representa bem esse movimento. Natural da cidade de Goya, em Corrientes, ele conheceu o Rio de Janeiro em 2010 durante um cruzeiro. Depois disso, voltou ao Brasil em 2012 para passar o réveillon e acabou se mudando definitivamente.
Primeiro morou em Búzios. Depois, passou a viver na capital fluminense.
Desde 2019, Fariza trabalha no setor imobiliário carioca pela Somma Rio e decidiu investir no segmento de estúdios compactos.
Segundo ele, o Rio se tornou um destino global competitivo para investimentos imobiliários ligados ao turismo.
Além disso, a alta demanda por hospedagem de qualidade em plataformas digitais fortalece ainda mais esse mercado.
Construtoras adaptam vendas e crédito para atender estrangeiros
O crescimento da demanda internacional fez o setor imobiliário carioca mudar rapidamente sua estrutura comercial.
A Cury Construtora, por exemplo, revelou que possui atualmente 2.267 estúdios lançados no Rio de Janeiro. Desse total, 4% foram vendidos diretamente para clientes estrangeiros.
Embora o percentual pareça pequeno à primeira vista, o número já representa uma mudança importante no comportamento do setor.
Segundo Adriano Pereira Affonso, diretor comercial da construtora, a procura internacional praticamente não existia há dois ou três anos.
Por causa disso, as empresas precisaram adaptar processos de venda, documentação e análise de crédito para compradores estrangeiros.
Enquanto isso, o Opportunity Imobiliário também percebeu o mesmo fenômeno.
Marcelo Naidich, gestor do fundo responsável pelos empreendimentos da marca Be.in.Rio, afirma que mais de 20% dos compradores da carteira atual são estrangeiros, principalmente europeus com diferentes perfis profissionais.
A empresa prevê cinco lançamentos ainda em 2026, totalizando 212 unidades e Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 265 milhões.
Além disso, a Balassiano Engenharia detectou outro comportamento interessante entre os compradores.
Segundo Gabriel Pecly, responsável pela área de Novos Negócios da empresa, muitos clientes são casais formados por um estrangeiro e um brasileiro, criando vínculos afetivos que acabam influenciando diretamente a decisão de compra no Rio.
Rio ganha força internacional com turismo, câmbio e retomada do Galeão
Outro fator decisivo para esse crescimento do interesse estrangeiro está ligado à recuperação da infraestrutura turística da cidade.
Diversos empresários do setor citaram a retomada do Aeroporto Internacional do Galeão como peça fundamental nesse processo.
Durante alguns anos, o terminal perdeu relevância no cenário internacional. Entretanto, o aumento recente de voos diretos voltou a facilitar o acesso de turistas e investidores ao Rio de Janeiro.
Segundo Jomar Monnerat, sócio da RJDI, o Brasil reúne atualmente fatores que atraem investidores internacionais:
- distância dos conflitos geopolíticos globais
- clima favorável
- câmbio competitivo
- receptividade cultural
- forte apelo turístico
Além disso, o Rio continua sendo considerado a principal vitrine internacional do Brasil.
Empresas de aluguel por temporada já administram milhares de imóveis
O crescimento desse mercado também pode ser observado nas empresas que administram locações temporárias.
A Lobie, especializada em gestão de estúdios para aluguel de curta temporada, administra atualmente cerca de nove mil unidades espalhadas por 64 empreendimentos no Rio de Janeiro.
O dado mais impressionante aparece justamente no perfil dos proprietários.
Há três anos, apenas cerca de 2% dos clientes da empresa eram estrangeiros.
Agora, em 2026, esse percentual saltou para quase 18%.
Na prática, isso significa que aproximadamente 1.620 estúdios já pertencem a investidores internacionais.
Entre eles:
- 41% são europeus
- 32% são latino-americanos
- 14% são norte-americanos
- 10% vêm dos Emirados Árabes Unidos, sendo 7% apenas de Dubai
Segundo Ernesto Otero, CEO da Lobie, o Rio passou a seguir um modelo global consolidado no exterior.
O proprietário consegue rentabilizar o imóvel durante boa parte do ano e ainda utilizá-lo quando desejar apenas bloqueando determinadas datas nas plataformas.
Mercado acredita em crescimento ainda maior nos próximos anos
Apesar do cenário positivo, empresários do setor afirmam que o Rio ainda possui potencial para crescer muito mais nesse segmento.
Schalom Grimberg, sócio-fundador da SIG Engenharia, acredita que melhorias na segurança pública podem ampliar drasticamente a participação estrangeira no mercado imobiliário carioca.
Segundo ele, alguns empreendimentos da empresa em Ipanema já registraram entre 25% e 30% de compradores estrangeiros.
Enquanto isso, Claudio Castro, diretor da Sérgio Castro Imóveis, defende que a chegada desses investidores ajuda a revitalizar imóveis degradados e movimenta economicamente bairros importantes da cidade.
Segundo ele, o Rio ainda possui um parque imobiliário muito deteriorado, e o capital estrangeiro vem ajudando a transformar esse cenário.
Conforme publicado pelo jornal O Globo em maio de 2026, o avanço da procura internacional por estúdios compactos mostra que o Rio de Janeiro entrou definitivamente no radar global de investimentos imobiliários ligados ao turismo e ao aluguel por temporada.
Com praias famosas, megaeventos, clima tropical e valorização crescente do turismo internacional, a cidade começa a viver uma nova fase no setor imobiliário.
E diante desse movimento, fica uma pergunta: você investiria em um estúdio compacto no Rio de Janeiro para transformar o imóvel em renda com aluguel por temporada?