Porto Maravilha tem alta de mais de 60% no metro quadrado em cinco anos

em Diário do Rio / Mercado Imobiliário, 9/março

O Porto Maravilha registrou valorização superior a 60% no metro quadrado em cinco anos e consolidou a região como novo polo do mercado imobiliário do Rio de Janeiro. O movimento já avança sobre o Centro e São Cristóvão, impulsionado por obras, transporte e novos lançamentos.

A valorização do metro quadrado no Porto Maravilha virou um dos sinais mais claros da mudança de eixo do mercado imobiliário no Rio de Janeiro. Em cinco anos, o preço médio na região saltou de cerca de R$ 5,5 mil para R$ 9 mil, uma alta superior a 60%.

O dado foi apresentado pelo vice-presidente de Fundos de Investimento da Caixa, Sérgio Bini, em entrevista ao presidente do Sinduscon-Rio, Cláudio Hermolin, no primeiro episódio do videocast Sinduscast Rio.

O movimento não ficou restrito ao Porto. No Centro do Rio, a valorização também apareceu com força após o avanço do Reviver Centro. Segundo Hermolin, o metro quadrado na região saiu de R$ 7,5 mil há cinco anos para algo entre R$ 10 mil e R$ 10,5 mil agora.

A leitura do setor é direta. Quem comprou imóvel no início desse processo de recuperação urbana viu o investimento render acima da inflação. E quem adquiriu unidade para morar encontrou preços mais baixos do que os praticados hoje.

A expectativa agora se volta para São Cristóvão, bairro que começa a entrar nesse mesmo circuito de expansão. Em 2021, o metro quadrado por lá girava em torno de R$ 6 mil. Hoje, já aparece na faixa de R$ 8 mil a R$ 8,5 mil.

“Mas quem perdeu esse bonde agora pode pegar o VLT para São Cristóvão”, afirmou Sérgio Bini, ao comentar a intenção da Prefeitura do Rio de ampliar a linha do modal a partir do Aeroporto Santos Dumont até o bairro.

A aposta em São Cristóvão é grande. Com apoio da Caixa, a revitalização da região prevê 100 mil novas unidades residenciais e a chegada de 250 mil moradores até 2064. O projeto já começou a sair do papel com o lançamento das primeiras 3,5 mil unidades.

No Porto Maravilha, o ritmo também segue forte. “No Porto Maravilha foram lançadas mais de 15 mil unidades, sendo que 90% delas já estão vendidas”, destacou Bini. Já na área do Centro incluída no Reviver Centro, o número de unidades lançadas chega a 3,3 mil, segundo Hermolin.

Para o setor, o mapa dos lançamentos no Rio mudou. “O vetor do crescimento imobiliário na cidade mudou. Hoje, a região que tem mais lançamentos no Rio é o Porto Maravilha. E, em pouco tempo, vamos ver o Porto e São Cristóvão brigando por esse pódio”, disse Cláudio Hermolin. Bini completou: “Uma briga boa, que retroalimenta um ciclo virtuoso”.

A Caixa também lançou uma plataforma para concentrar informações sobre empreendimentos no Porto Maravilha e em São Cristóvão. O site reúne dados para quem quer comprar imóvel, vender terreno, abrir negócio ou entender melhor os projetos em andamento nas duas regiões.

“O site inclui, ainda, simulações de financiamentos, no caso de compradores finais. Ou da quantidade de Cepacs necessárias para construir, no caso dos incorporadores”, explicou Sérgio Bini.

Segundo ele, o momento atual já não é mais de promessa. “Não estamos vendendo Cepacs, é oportunidade real”, afirmou, ao relatar o interesse crescente de incorporadoras e novos negócios nas áreas em transformação.

Até agora, 3 mil unidades residenciais já foram entregues no Porto Maravilha. Outras 1,7 mil devem ser concluídas ainda neste ano. O cenário, para quem acompanha o setor, mudou rápido.

“É um sucesso incontestável. Lembro de visitar o estande de uma incorporadora em 2024, uma semana antes do Carnaval no Rio, e ficar perplexo com a quantidade de gente lá dentro buscando informações sobre os imóveis”, contou Bini.

Além da valorização imobiliária, o discurso do setor tenta vender a região como espaço de vida urbana mais integrada. O Porto Maravilha reúne acesso ao VLT, metrô, trem e à ligação com o Terminal Gentileza, além da presença de equipamentos culturais e áreas de lazer.

Bini comparou a transformação local a projetos internacionais de reurbanização. “É a revitalização de uma área dez vezes maior que Puerto Madero, em Buenos Aires, na Argentina”, disse.

Na avaliação de Hermolin, o diferencial está justamente em combinar moradia, infraestrutura e mobilidade. “Uma área com infraestrutura já instalada, onde as pessoas podem morar mais perto do trabalho e se valer do transporte público, usando menos o carro, o que significa não só qualidade de vida como também sustentabilidade”, afirmou.

O pacote inclui ainda o peso simbólico e turístico da região. Roda Gigante, AquaRio, Cais do Valongo, Quinta da Boa Vista e a malha de transportes ajudam a sustentar a ideia de que o Porto Maravilha deixou de ser aposta futura e virou peça central da nova expansão imobiliária do Rio de Janeiro.


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